Ao contrário de muitos de meus amigos e amigas, matemática sempre foi uma paixão para mim, enquanto que português sempre foi meu calo. Até hoje, gosto de fazer exercícios de lógica-matemática para descontrair. Minha relação com o português, contuto, é um pouco contraditória.

Amo escrever, gosto de ler, gosto de resolver problemas de interpretação de texto… mas estudar a tal da gramática… ahhh isso sempre me tirou do sério. A gramática sempre causou atrito na minha relação com o português. Daí, muitas vezes as pessoas não entenderem como eu não gosto de português se gosto tanto de escrever. Pronto… meu problema está na bendida gramática.

Mas… por que será que sempre odiei português (gramática) e amei matemática? Seriam os professores? Não, acredito que não. Já tive bons e maus professores de ambas as disciplinas. Quebrei um pouquinho a cabeça agora a pouco para tentar entender isso, e acho que cheguei a uma possível conclusão.

Durante toda a minha vida, meus professores de matemática sempre me ensinaram os porquês das coisas. Como se chegava a cada fórmula, de onde elas surgiam, e coisas do tipo. Já em minhas aulas de português, as coisas eram simplesmente porque eram. Não se respondia quando elas surgiam. É como se tivessemos nascido no Brasil e fosse mais que nossa obrigação engolir cada regra de nossa língua.

Descobri que meu conflito estava aí. Enquanto eu não encontro origens e motivos, uma regra não faz sentido para mim. Isso se aplica não só à gramática, mas à tudo em minha vida. Estabeleço uma relação dotada de atritos com as normas se elas não puderem ser ao menos explicadas.

É impressionante como algo tão simples diz tanto a nosso respeito!