Só para contextualizar nossos amigos que não conhecem o sistema de transporte “público” (porque é pago) da Grande Vitória, o mesmo se chama Transcol, e é sobre minhas viagens de cada dia nele que irei escrever nessa categoria!! Passo pelo menos 2 horas e meia dentro destes ônibus por dia!
Bem… estão reformando algumas avenidas e pontes que se encontram no meu trajeto casa-universidade e vice-versa. Resultado: um trânsito horroroso, lento e entediante. O que fazer então para matar o tédio enquanto me encontro em pé dentro de um desses ônibus lotados???
Hoje foi inevitável!! Tive que prestar atenção a algumas coisas (principalmente conversas) que acontecem dentro dos ônibus.
Primeiro, voltando para casa agora de tardezinha, logo que consegui me acomodar em pé próximo a uma alma caridosa capaz de segurar minha pasta, 3 amigos (2 moças e 1 rapaz) começaram a conversar. De repente falaram em uma tal de cratera na avenida. Ops!! Minhas anteninhas ligaram!!! Cratera??? Em menos de 2 minutos estávamos diante dela. Eles comentavam que por volta de 7h da madrugada (para eles, porque pra mim, às 7h, a madrugada já se foi a um bom tempo) 3 carros cairam na tal da cratera que se fez no asfalto. Olhando a cratera, creio que teve que ser um carro de cada vez! Para vocês terem idéia do tamanho do buraco, ele atravessava a avenida no sentido UFES-3ªPonte completamente, e tinha tamanho suficiente para caber um carro dentro.
Parei de prestar atenção no papo deles, que logo se voltou para suas atividades acadêmicas. Ao chegar no terminal de Vila Velha, fui para a fila de mais um ônibus. Enquanto esperava o ônibus, param um rapaz e uma moça atrás de mim, na fila. Pensei que eram amigos, mas… ops!! Anteninhas ligadas novamente!!
O rapaz fazia cada pergunta à moça, que não tinha como serem conhecidos. Perguntas tão básicas como: se tem irmãos, o que faz da vida, se tem msn, se costuma conectar, se gosta de sair, etc… concluí que haviam se conhecido na viagem de ônibus. Não sei quanto tempo durou esse lero lero não. Só sei que esperei 10 minutos até que o meu ônibus chegasse, e esse tempo todo eles ainda estavam conversando.
Enfim, chegou o ônibus!!! Entrei, olhei no relógio, ele precisava fazer com 10 minutos sua viagem até o terminal do Ibes, para que eu não perdesse o ônibus que passa em minha rua. Doce ilusão!!! O infeliz demorou 15 minutos. Perdi não só o ônibus de minha rua, como também todos os outros 4 que passam próximos a ela. Fazer o que, então??? Esperar!!!
Foram mais 20 minutos esperando um ônibus. Eu era a 2ª da fila! A moça que estava a minha frente estava conversando no cel quando cheguei na fila. De repente… silêncio. De repente… conversa. A ligação havia caído, mas logo a pessoa retornara a ligação. Ela perguntou se tinha acabado a bateria. Pensei: “meu pai! a quanto tempo elas estavam no cel???”. Daí em diante foram 20 minutos completos de reclamações no celular sobre uma colega de trabalho que não fazia o trabalho direito e deixava tudo para ela fazer. Imagino que a pessoa que estava do outro lado já estava cansada do assunto, porque volta e meia ela dizia: “então ouve isso aqui que ela fez”, “Então imagina isso aqui”, “então olha só o que ela disse”, e assim por diante! Mulher chata!!!
Finalmente o ônibus chegou. Não o da fila em que eu estava. Um outro que me servia, mas que tive que ir para o final da fila. Enquanto a fila andava até ele, um homem na casa dos 30 anos, forte, estatura média, se aprocimou de mim na fila. Começou a andar paralelo a nós em direção ao ônibus. Ele não estava na fila, mas andava como todos nós em direção à porta do ônibus. Pensei comigo: “era só o que faltava. O cara querer furar fila na minha frente.” Talvez ele tenha lido minha mente, porque na hora em que eu ía subir no ônibus, ele parou ao lado da porta e esperou todos entrarem para entrar também.
Finalmente, no caminho para casa pensei: “Ok, gente reclamona, gente estranha, gente fofoqueira, gente inteirada das notícias… vi todo tipo de gente… mas como será que essa gente me viu??? Eu que fiquei o tempo inteiro no ônibus conferindo se o celular estava no bolso, e depois na fila lixando as unhas” Compulsiva??? Esquisita???
Será que há pessoas como eu me observando??? Ai, que medo!!!
Karyne nasceu e mora no ES. É brasileira antes, durante e depois da Copa, e apaixonada também pela cidade de Santiago – Chile.
Formou-se no Curso Fundamental de Música pelo Conservatório Brasileiro de Música Centro Universitário / Conservatório de Música de Vila Velha e, atualmente, cursa Psicologia na Universidade Federal do Espírito Santo.
É Adventista do Sétimo Dia. Regeu o Coral Jovem de sua Igreja por dois anos, e hoje atua como pianista e diretora associada do Dep. de Música.
É apaixonada pelo namorado. Gosta de ficar com a família, namorar, cantar, dormir, escrever, comer, ler, passear, assistir filmes, ouvir música, rir, fazer amigos na internet… e viver.
Livros preferidos: Bíblia, O abraço de Deus, FREAKONOMICS e Lucíola.
Uma frase: “Descubra em que você é bom, e seja de propósito”
Arne Balbinotti
November 5th, 2007 at 9:21 pm
E os domadores estão por ai.