palco Quem ainda não assistiu a um capítulo desta nova atração da TV brasileira? Eu fico de cabelo em pé ao ver o que a mídia é capaz de produzir nas pessoas.

Mesmo sem assistir TV, estou há algumas semanas sendo bombardeada pelas notícias, hipóteses e especulações do caso Isabella. São meus pais comentando em casa, as pessoas comentando no ônibus, nas lojas, nas filas de banco… em todo o lugar. Parece que finalmente a TV brasileira encontrou uma “atração” viral. Isso me dá medo!!!

Como se não bastasse esse caso tão divulgado, ainda estudei há poucos dias em uma de minhas disciplinas da faculdade outro “caso Isabela”. Para completar meus pesadêlos, minha enteada se chama Isabela. Pense em quantos sentimentos já passaram por mim durante todos esses dias! Agora, pense em quantos sentimentos estão passando por milhares de brasileiros que estão acompanhando o caso.

Eu gostaria, sinceramente, de entender de que forma essa exposição excessiva que a mídia tem feito do caso está auxiliando, de alguma forma, em sua solução. Penso que as únicas que ganham com isso são as emissoras de TV que garantem sua audiência ao longo de horas, a cada dia. É, porque eles conseguiram fazer o que nenhuma novela fez até hoje, colocar as pessoas em contato com os “vilões”, dar-lhes a possibilidade de passar horas vigiando suas saídas e entradas, jogar pedras neles, dar depoimentos e pitacos a respeito do caso. Tudo que o público das telenovelas brasileiras sempre desejou, no que tange à interação e manifestação, ao assistirem uma novela, eles estão tendo agora com esse caso!

Quem matou Odete Roithman? Que nada! Isso é fichinha perto do caso Isabella!

Por que este caso está sendo tão divulgado? Geralmente a justiça, a polícia e todos os envolvidos em qualquer caso dizem a famosa frase “nada a declarar”. Por que agora todos têm o que dizer? Mais que isso, por que não poupam detalhes, informações especulativas, hipóteses e etc?

Pense se esse casal (o pai e a madrasta) for inocente. Já houve inocentes em caso semelhante (que o diga Guilherme Fiuza). Como a sociedade brasileira poderá pagar o mal que tem feito a eles? Sim, a sociedade, pois é ela quem se ‘delicia’ a todo tempo deste caso. Do contrário a mídia não teria tanto sucesso em divulgá-lo. Pense na família desta criança, e imagine ter que somar ao sofrimento de perder uma pessoa querida a dor de ser lembrada o tempo inteiro pela TV, jornais, rádio e tudo mais, de que estão sofrendo.

Até que ponto devemos ter acesso a esse tipo de informação? Milhares de crianças morrem todos os dias no mundo, mas nem por isso são transformadas em “atração”. Então, um grande jornalista me faz a proeza de encerrar sua reportagem dizendo que “cabe à população brasileira julgar se o pai e madrasta estão dizendo a verdade”. Poupe-me!!

Sinceramente, cabe a cada um de nós orarmos por esta família (para quem tem alguma fé) e continuarmos nossas vidas. Julgamentos não são de nossa conta, e o sofrimento alheio não é atração de circo.

Você gostaria de ter seu sofrimento exposto assim? EU NÃO!