Meu filho não quer comer verduras!! Esse menino só come besteira!! Essa menina é ruim de boca!!

Essas são queixas comuns entre pais. Já cansei de ouvir isso a respeito das crianças do Centro de Educação Infantil em que estagio. Sabe o que é mais intrigante?? Boa parte dos filhos cujos pais possuem essa queixa come de tudo na escolinha na qual passam o dia.

Será que eles são ruins de boca mesmo?

Se pararmos para observar como nos alimentamos durante o dia, talvez não possamos nos parabenizar por termos uma dieta saudável. Excesso de sal, açúcar, amido, poucas vitaminas, bastante lipídios. Sim, esta é com freqüência a dieta de muitos de nós. Praticamente suicidas! Fazemos pratos bonitos, cheirosos e muito gostosos, mas… eles são saudáveis?

Bem… minha área é comportamento, e não nutrição, então, não entrarei nos méritos de quantidade de calorias e exemplos de dietas balanceadas. A questão aqui é outra: nosso comportamento alimentar reflete uma alimentação nutritiva ou conveniente?

O que estamos exigindo das crianças? Que comam uma porção de verduras e legumes com arroz, feijão, batata, macarrão e carne?

Muitas vezes o momento da refeição, um dos raros momentos em que algumas famílias conseguem se reunir para passar juntos, torna-se um momento estressante, simplesmente porque a criança não quer comer isso ou aquilo. Esquecemos que ela não precisa comer todas aquelas folhas e legumes, que não precisam fazer um prato tão grande quanto o dos pais. Esquecemos que a função primária de comermos é a nutrição, e acabamos por travar verdadeiras guerras à mesa!

Mas isso tudo pode ser evitado com um pouquinho de disposição. Se procurarmos conhecer mais os valores nutricionais dos alimentos, poderemos também fazer maiores combinações entre estes, inclusive muitas que agradarão o paladar dos pequenos. Muitas vezes, ao optarmos pelo prático, rápido e que agrada o nosso paladar, acabamos nos esquecendo de que há uma diversidade de alimentos que se substituem mutuamente, e que gostar ou não de um ou outro não é ser ruim de boca.

Acredito que crianças podem ter uma alimentação nutritiva e completa, se a prioridade não for a conveniência para os pais.